25 de Fevereiro, 2022 / Mercado

Você está surfando a última onda?

Voltar

Edmar Prigol - Sócio e Diretor de Estratégia


A construção de marcas vai muito além de seguir as tendências mais recentes.

Você está surfando a última onda? Você está surfando a última onda?

No mercado de comunicação, muito se fala sobre construir marcas, ou, como gostamos de falar, branding. Em um texto publicado recentemente, Richard Huntington (diretor de Estratégia da Saatchi & Saatchi) traz uma definição bem interessante sobre o assunto quando diz que "uma marca é uma série de associações que as pessoas criam em suas mentes sobre um produto, serviço, empresa ou organização."
É uma definição simples, mas profunda e que está de acordo com o que acreditamos aqui na agência: marcas são construídas todos os dias por todas as pessoas que têm contato com ela. É na campanha publicitária que roda no intervalo do Super Bowl, mas também é em como você responde uma mensagem de um cliente no chat do seu site.

"A brand is the set of associations that people have in their minds about a product, service, business or organisation"
Richard Huntington

Faço essa pequena introdução para clarear um pouco meu raciocínio sobre a nossa função como profissionais de comunicação. Um pensamento tem circulado em minha mente nos últimos meses sobre os diversos caminhos que nosso mercado tem tomado e as mudanças incríveis e excitantes que vêm surgindo. Você com certeza já ouviu falar sobre o metaverso, sobre os famosos NFTs ou então sobre as práticas ESG.
Essa enxurrada de novidades e tendências geralmente deixam os profissionais de marketing e comunicação ansiosos e animados. De uma hora para a outra, surgem prioridades na pauta que antes não existiam e devemos concentrar nossos esforços em sermos os primeiros a embarcar na última novidade: metaverso, NFT, ESG ou qualquer outra tendência do momento… quem aí lembra do Clubhouse?
Porém, a necessidade de ser vanguardista pelo simples motivo de ser e de sair na frente da concorrência ao lançar uma estratégia baseada nessas tendências tem muitos perigos quando olhamos para a construção real das marcas.

O que vejo acontecendo no mercado são empresas falando sobre questões que ainda não dominam sequer superficialmente, preocupando-se mais com "surfar a onda" do que com projetos que tenham impacto sobre seus clientes e consumidores.
Já eu acredito em discursos e ações reais, campanhas na rua, fazendo a diferença na vida das pessoas e marcas sendo relevantes para seu público.

Pois a realidade é que: não adianta apenas jogar a palavra "metaverso" em uma peça, você precisa fazer um esforço real, de estudo, de tecnologia, de implementação, e mais importante, saber que isso faz parte de seu propósito, que seu público irá se beneficiar realmente com essa ação.
Não adianta querer investir em uma estratégia de NFT, novas tecnologias ou tendências se ainda não tem um investimento em transformação digital, processos internos de CRM ou pós-vendas bem estruturados com dados reais.

Eu acredito que a tecnologia e a revolução digital têm o poder de mudar nossa vida para melhor, transformando nossas relações com as coisas que compramos, com nosso trabalho e com as outras pessoas. Não vejo a hora de experimentar e testar todas essas novidades na prática.
Porém, acredito acima de tudo em construir marcas, acredito que tudo que fazemos tem que servir um propósito e nos levar um passo mais perto de nosso objetivo.
Seguir as tendências e "surfar a última onda" de novidades, apenas para poder falar que o está fazendo, não é um objetivo, não é um propósito, isso não constrói nada.

Por isso, minha recomendação aqui é: sim, leia sobre metaverso, NFT, ESG e tudo mais.
Estudo sobre isso, aprenda, esteja antenado e preparado, quanto mais conhecimento você tiver, mais fácil será navegar por esses conteúdos e criar estratégias para diferentes cenários.

Mas depois que fizer tudo isso, volte a focar no que realmente vai fazer sua marca crescer, ser relevante e gerar as associações que falei no início desse texto. Tenho certeza que para isso, você não precisará de um metaverso, mas sim, olhar mais para dentro, ouvir as pessoas, arregaçar as mangas e fazer o que tem que ser feito!

 

 

Compartilhe

Voltar para o Topo